Veja Também "Minha Vida na Lembrança" saiba mais sobre a peça ganhadora de sete prêmios de melhor dramaturgia!!!

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"Ralé"

              

  Que a Ralé esteja Convosco!

Se tentarmos imaginar o contexto em que Górki compôs sua "Ralé" (originalmente chamada "No fundo"), uma Rússia entrando no século XX socialmente devastada, politicamente decadente e economicamente inviável, presa de uma sociedade baseada na hipocrisia, na sujeição e numa vida medíocre e mesquinha, talvez possamos entender melhor a dureza de seus "vagabundos", tornados célebres não só por seu teatro, mas por muitos de seus contos.

 

A imagem do "outsider", daquele que se retira conscientemente de uma sociedade cujos valores empobrecem e amortecem o espírito humano sempre esteve presente em toda a literatura de Górki. Essa talvez tenha sido uma de suas grandes armas contra o amesquinhamento

 observado no homem médio das grandes cidades (o pequeno burguês), sobretudo a partir do advento da Revolução Industrial, na Inglaterra, vinte anos antes da virada do século. O reflexo deste verdadeiro "êxito capitalista" espalhou-se por toda a Europa, causando profundas transformações na sociedade russa da época.

 

O "vagabundo" de Górki é, sem dúvida, uma vítima do sistema, mas é também aquele que se volta contra o sistema, negando-se a trabalhar e comprazendo-se em sua miséria, onde então torna-se livre para exaltar os valores derruídos pelo capitalismo. Entre esses valores, "liberdade" e "verdade" estão em primeiro lugar, seguidos pela noção de "dignidade humana", que para Górki (bem como para muitos de seus "vagabundos") nada tem a ver com a aceitação passiva de sofrimento ou sua glorificação.

 

Para nós, eternos estudantes, ousar montar este verdadeiro baluarte do "teatro realista" mundial é bem mais do que um desafio. Tanto quanto como "artistas", é como "humanos"que temos que nos preparar para tal façanha! Não basta simplesmente "contar a estória" ou "falar o texto com propriedade"... Acima de tudo temos que ousar chafudar na lama com a ralé, deixando nossas almas impregnarem-se desta "santa sujeira", a fim de notarmos o essencial: se a vida é cruel, que a arte também seja!

Que a "ralé" esteja convosco!

Adriano Garib

 

 

"Minha Vida na Lembrança" de Oscar Calixto

    

 

   

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                            Ultima atualização: 15/07/10.